Em duelo de gigantes, Alison e Bruno levam o ouro pela quarta vez no Superpraia

Publicado em: 30/04/2017 14:23

Mais uma vez a arena montada na praia de Icaraí, em Niterói (RJ), foi tomada pelos fãs de vôlei de praia que acompanharam as disputas por medalhas do torneio masculino do Superpraia 2017. O público presente testemunhou a história do esporte sendo escrita. Na manhã deste domingo (30.04) Alison e Bruno Schmidt (ES/DF) conquistaram pela quarta vez consecutiva o título do torneio que reúne as melhores duplas do país.

A decisão do evento masculino estava recheada de expectativa e atrativos pois colocava frente a frente os campeões olímpicos da Rio 2016 e os campeões do Circuito Brasileiro 2016/2017. Em uma partida cheia de alternâncias no placar e belas defesas, Alison e Bruno Schmidt (ES/DF) venceram Álvaro Filho e Saymon (PB/MS) por 2 sets a 0 (21/19 e 22/20), em 47 minutos de partida. Na disputa de bronze quem levou a melhor foi Evandro/André (RJ/ES) que venceu Thiago/Geroge (SC/PB) por 2 sets a 1 (17/21, 21/16 e 15/10).

Eleito o melhor defensor da temporada, Bruno Schmidt mostrou aos presentes nas arquibancadas porque é chamado de mágico e preencheu o fundo de quadra com bastante propriedade. Ao final da partida, o atleta fez questão de enaltecer o parceiro e a equipe técnica que dá suporte à dupla.

“Tudo isso é consequência de nosso trabalho. A nossa dupla não pensa muito nas marcas e nos títulos, acho que isso acaba sendo o segredo para chegarmos aos nossos objetivos. Nossa parceria vai sempre junta no caminho que traçamos, cobrando e instigando um ao outro. Os resultados são consequências. Mesmo se não tivéssemos chegado ao título, só o nosso desempenho no torneio já teria valido a pena, fomos guerreiros do começo ao fim. Claro que é muito satisfatório conquistar o tetra de um torneio tão glamoroso. Quero agradecer minha comissão técnica e principalmente o Alison, que tem sido um parceiro fora da curva, estou vivendo um momento inédito na minha carreira, pois conquistei os meus sonhos e é hora de se reinventar, e ele está ao meu lado e não me deixa perder o foco, agradeço muito a ele por isso”, contou Bruno.

O gigante Alison também comemorou bastante o feito deste domingo, e ainda brincou que chegou a ouvir a voz do narrador Galvão Bueno repetindo o célebre grito da Copa do Mundo de Futebol de 1994 (“É tetra! É tetra!”), em um momento de lembrança da infância. O bloqueador também confessou a emoção de ter passado de jovem promessa a referência da posição após as conquistas da carreira.

“Eu cheguei a lembrar por alguns segundos do Galvão (Bueno) narrando a final da Copa de 94. É muito gratificante jogar um torneio assim, e ver o alto nível do voleibol apresentado por todos os participantes. Um dia eu fui o mais novo em quadra, agora eu sou a referência. Antes eu me inspirava no Ricardo e no Fábio Luiz, hoje o Saymon e outros mais novos olham para mim do mesmo jeito. É uma realização, olho para trás e vejo que cada sacrifício valeu a pena. Todas as dificuldades que tivemos na carreira também nos deram força. As pessoas nos perguntam porque continuamos e eu digo que continuamos por momentos como o de hoje em que a gente representa o nosso país e leva alegria às pessoas. Jogar voleibol é a melhor coisa que eu faço”, disse Alison.

Parte importante desta história e um dos grandes responsável pelas principais conquistas da dupla ao longo dos últimos quatro anos, o treinador capixaba Leandro Andreão, mais conhecido como Leandro “Brachola”, falou do título em Niterói e elogiou o trabalho feito por toda a comissão.

“Este campeonato é muito competitivo, se você olhar cada Superpraia, vai ver que todos foram muito difíceis, que tivemos jogos que poderiam ter nos eliminado antes da semifinal. Eles estão de parabéns por terem conseguido manter a concentração durante esses quatro anos e conquistar mais um título. Eles começaram comigo no vôlei de praia lá atrás e nos reencontramos nesses últimos quatro anos. A nossa comissão técnica é composta por vários profissionais excelentes que ajudam eles a estarem em condições de competir em alto nível nas principais competições”, disse Brachola.

Antes do início da partida final foi a vez da história de outro personagem do Circuito ser enaltecida. O árbitro carioca Elzir Martins foi homenageado pelos 30 anos de dedicação ao esporte. Ele, que faz parte da primeira geração da arbitragem internacional da modalidade, encerrou a carreira nesta final do Superpraia. Além de ter participado de inúmeras etapas dos eventos do Circuito Brasileiro e do Mundial, Elzir também esteve presente em três edições dos Jogos Olímpicos: Sydney 2000, Londres 2012 e Rio 2016.

“Depois de tantos anos nessa função, fico com a sensação de dever cumprido. Foram 30 anos como árbitro e tudo que construí, o respeito dos atletas e dos colegas. Tenho a certeza de que fiz o melhor em todo esse tempo. E também sei que faria tudo de novo e da mesma forma, talvez corrigisse uma coisa ou outra. Agora vou descansar um pouco e tenho perspectivas de continuar em outra função no voleibol”, disse Elzir ao fim da partida derradeira como árbitro.

Criado na temporada 2013/2014, o Superpraia possui premiação dobrada em relação às demais etapas do Circuito Brasileiro. Os campeões nos dois naipes recebem R$ 79,9 mil. A temporada do Circuito Brasileiro Open 2016/2017 começou em setembro do ano passado e terminou em Vitória (ES), no início de abril. O tour também passou por Campo Grande (MS), Brasília (DF), Uberlândia (MG), Curitiba (PR), São José (SC), João Pessoa (PB), Maceió (AL) e Aracaju (SE).

O Banco do Brasil é o patrocinador oficial do voleibol brasileiro