Duplas brasileiras do vôlei de praia conhecem adversários da fase de grupos

Publicado em: 04/06/2019 11:34

Da redação, no Rio de Janeiro (RJ) – 04.06.2019

As duplas brasileiras conheceram nesta terça-feira (04.06) os adversários da fase de grupos do Campeonato Mundial de vôlei de praia 2019, que será realizado em Hamburgo (Alemanha). A competição é realizada de dois em dois anos e será disputada entre os dias 28 de junho e 7 de julho. O Brasil será representado por quatro times em cada gênero. 

O torneio terá transmissão ao vivo do SporTV. As datas e horários das partidas ainda serão divulgadas pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB). O Brasil é o maior vencedor em Campeonatos Mundiais, tendo conquistado sete títulos no naipe masculino e cinco títulos no naipe feminino em 11 edições disputadas até hoje.

No naipe feminino, as estreantes em Campeonatos Mundias Ana Patrícia e Rebecca (MG/CE), cabeça de chave número 4 do torneio, terão pela frente no grupo D as espanholas Liliana/Elsa Baquerizo, as alemãs Bieneck/Schneider e as ruandenses Nzayisega/Hakizmana.Apesar de estreantes, a mineira e a cearense possuem melhor ranking dos times brasileiros. O técnico do time, Reis Castro, analisou a chave.

"É uma chave forte, difícil. São dois grandes times. As espanholas e as alemãs são duas 'leoas', times de qualidade, experientes. As meninas de Ruanda, na teoria, são menos experientes, não disputam o circuito, mas todo cuidado é pouco. Mas também não podemos esquecer da qualidade do nosso time, estamos exibindo um conjunto sólido diante de times consagrados. Elas são jovens, mas estão encarando como 'gente grande'. Não estamos pensando lá na frente, estamos pensando no agora, em ocuparmos nosso espaço dentro do Circuito Mundial", disse Reis.

Ágatha e Duda são cabeça de chave número 6 e estão no grupo F, onde enfrentam as chinesas Wang/Xia, as japonesas Ishii/Murakami e as cubanas Mailen/Leila. Vencedora do Campeonato Mundial em 2015, quando foi eleita MVP do torneio, Ágatha comentou sobre a chave em Hamburgo.

"Cuba é um adversário que temos que estar atentos. É uma dupla que não disputa muitas etapas do Circuito Mundial, mas, diferente de algumas duplas que se classificam por torneios continentais e possuem um nível técnico um pouco menor, menos experiência, Cuba sempre chega muito forte. Vamos buscar material sobre elas. É um grupo de atenção às especificidades de cada adversário. Os times asiáticos defendem muito bem e possuem boa leitura de jogo, possuem essa característica. Já enfrentamos tanto as japonesas e chinesas. No cenário internacional, se não entrar com atenção, com foco, é possível perder para qualquer dupla. Por isso somos um time muito 'pé no chão'. Nunca tivemos um sentimento de superioridade, de domínio. Estamos sempre estudando, nos preparando e vamos seguir essa receita no Campeonato Mundial". 

No grupo J, Carol Solberg/Maria Elisa, cabeça de chave 10, encara as norte-americanas Larsen/Stockman, as alemãs Ludwig/Kozuch e as nigerianas Nnoruga/Franco. Maria Elisa, bronze nas edições de 2009 e 2015, comentou sobre as adversárias do grupo e lembrou que a pontuação do Campeonato Mundial pode ser fundamental na corrida olímpica. O campeão de um torneio quatro estrelas soma 800 pontos, contra 1.000 pontos por um título no evento bienal de Hamburgo, que pode fazer times subirem na corrida.

“A Copa do mundo já é um torneio diferente por si só, esse ano, com a corrida olímpica, fica ainda mais especial. São realmente os melhores times do mundo, então não dá nem para pensar em escolher adversário. Conhecemos bem o time alemão e o americano, então vamos nos preparara bastante para esses confrontos. Já o time da Nigéria, vamos precisar nos adaptar ao longo da partida. Mas é essencial pensarmos no nosso time primeiro. Entrarmos concentradas e unidas para conseguirmos desenvolver nosso jogo. É um torneio importantíssimo e que pode fazer diferença para os nossos objetivos”, declarou.

Fechando a lista, no grupo L, Fernanda Berti/Bárbara Seixas, cabeça de chave 12, enfrenta as finlandesas Lahti/Parkkinen, as eslovacas Strbova/Dubovcova e as mexicanas Orellana/Revuelta. Bárbara Seixas, campeã na edição de 2015, teve pela frente na final Fernanda Berti, agora sua parceira. A carioca analisou as particularidades do grupo.

“Vale o mesmo que para todas as etapas do Circuito Mundial, todos têm que entrar em quadra e jogar. Com exceção de alguns países convidados e que estão iniciando suas atividades com o vôlei de praia, não existe nenhum jogo tranquilo. Temos que entrar em quadra dando nosso melhor sempre, se isso for resultar numa vitória, ótimo. Nosso grupo possui jogadoras experientes, que não chegaram no circuito ontem. Vamos entrar muito atentas e sempre respeitando nossos adversários. Nessa primeira fase os times vão pegando o ritmo de jogo da competição, normalmente com um jogo por dia, para que na fase eliminatória estejam preparados com força máxima”, destacou Bárbara.

No naipe masculino, Pedro Solberg e Vitor Felipe estão no grupo A, enfrentando os noruegueses Mol/Sorum, os alemães Walkenhorst/Winter e os cubanos Gonzalez/Reys. Na chave E, Alison e Álvaro Filho terão pela frente os russos Semenov/Leshukov, os norte-americanos Slick/Allen e os catarianos Tamer/Mahmoud.

André Stein e George caíram no grupo H, onde duelam contra os italianos Nicolai/Lupo, os austríacos Seidl/Waller e os moçambicanos Soares/Nguvo. Fechando a lista, Evandro e Bruno Schmidt terão como adversários no grupo I os espanhóis Herrera/Gavira, os australianos Durant/Schumann e os venezuelanos Charly/Tigrito.

Evandro comentou a expectativa para defender o título conquistado em 2017, contra dupla austríaca na casa dos adversários. O carioca ressaltou o grau de dificuldade do torneio, mas também celebrou a evolução do entrosamento com o parceiro Bruno Schmidt.

“Tive a felicidade de ter vencido na última edição, Bruno venceu na anterior, em 2015, então vamos administrar essa expectativa, essa pressão. Vamos fazer de tudo para defender esse título. Independente disso, sabemos que o nível do Circuito Mundial está grande. Estamos evoluindo o entrosamento, fazendo boas etapas. Vamos chegar bem fisicamente e mentalmente, vamos pensar jogo a jogo, em atuar bem, depois pensaremos em títulos. Um passo de cada vez”, declarou o bloqueador Evandro.

Também campeão em 2017, quando formava dupla com o carioca Evandro, André Stein analisou a chave em sua segunda participação, agora mais experiente e defendendo o título.

“É um grupo duro, como esperávamos. Lupo e Nicolai são uma das duplas mais fortes do torneio, os austríacos também têm bom nível e, apesar de não conhecer bem o time de Moçambique, sei que eles podem surpreender. Em 2017, Evandro e eu caímos em uma chave muito forte e ter feito jogos duros desde o início nos fortaleceu, então George e eu temos que começar com atenção e aproveitando cada partida”, destacou.

Entre os atletas brasileiros na disputa, seis já conquistaram o título ao menos uma vez – Ágatha, Bárbara Seixas, Alison (único com duas conquistas), André Stein, Bruno Schmidt e Evandro. Outros quatro atletas já conquistaram medalhas – Fernanda Berti e Álvaro Filho possuem uma prata, enquanto Pedro Solberg e Maria Elisa já foram bronze no principal torneio da modalidade, com exceção dos Jogos Olímpicos.

Na lista de estreantes estão Ana Patrícia, Rebecca e George, que participarão pela primeira vez da competição. O paraibano comentou a expectativa para a primeira participação.

"Estou bem ansioso, acho que será um torneio bom, será minha primeira participação em Campeonatos Mundiais, sei que existirá aquele nervosismo. Mas não existe mais chave fácil ou jogo fácil, toda partida precisa ser encarada como uma final, está sendo assim nas etapas quatro estrelas, será assim nos eventos cinco estrelas e no Campeonato Mundial, pois o nível está muito competitivo. Vamos trabalhar bem a cabeça e o corpo para chegarmos lá bem, rendendo nosso máximo", disse George.

Somando os naipes masculino e feminino, o Brasil soma 12 medalhas de ouro, nove de prata e dez de bronze nas 11 edições realizadas. Brasil contra Estados Unidos foi a final mais repetida na história, tendo acontecido em sete oportunidades. O Campeonato Mundial é o principal torneio da temporada, com uma premiação total de 1 milhão de dólares (500 mil para cada naipe) e a maior pontuação ao ranking da temporada.

TODOS OS VENCEDORES DO CAMPEONATO MUNDIAL:

Masculino
1997 – Los Angeles (EUA) - Rogério Ferreira/Guilherme Marques (BRA)
1999 – Marselha (FRA) – Emanuel/Loiola (BRA)
2001 – Klagenfurt (AUT) - Mariano Baracetti/Martín Conde (ARG)
2003 – Rio de Janeiro (BRA) – Ricardo/Emanuel (BRA)
2005 – Berlin (ALE) – Marcio Araújo/Fábio Luiz (BRA)
2007 – Gstaad (SUI) – Dalhausser/Todd Rogers (EUA)
2009 – Stavanger (NOR) – Julius Brink/Jonas Reckermann (GER)
2011 – Roma (ITA) – Alison/Emanuel (BRA)
2013 – Stare Jablonki (POL) - Brouwer/ Meeuwsen (HOL)
2015 – Haia (HOL) – Alison/Bruno Schmidt (BRA)
2017 - Viena (AUT) - Evandro/André Stein (BRA)

Feminino
1997 – Los Angeles (EUA) - Sandra Pires/Jackie Silva (BRA)
1999 – Marselha (FRA) – Adriana Behar/Shelda (BRA)
2001 – Klagenfurt (AUT) - Adriana Behar/Shelda (BRA)
2003 – Rio de Janeiro (BRA) – Kerri Walsh/Misty May-Treanor (EUA)
2005 – Berlin (ALE) – Kerri Walsh/Misty May-Treanor (EUA)
2007 – Gstaad (SUI) – Kerri Walsh/Misty May-Treanor (EUA)
2009 – Stavanger (NOR) – April Ross/Jennifer Kessy (USA)
2011 – Roma (ITA) – Juliana/Larissa (BRA)
2013 – Stare Jablonki (POL) - Xue Chen/Zhang Xi (CHI)
2015 – Haia (HOL) – Ágatha/Bárbara Seixas (BRA)
2017 - Viena (AUT) - Laura Ludwing/Kira Walkenhorst (ALE)

O Banco do Brasil é o patrocinador oficial do voleibol brasileiro